Azulejos de papel

Azulejos de papel (2007 a 2021)

Diversas cidades e países.

A galeria acima reúne fotos da intervenção Azulejos de papel. São imagens das instalações realizadas pelo Poro entre 2007 e 2021.

A intervenção consistiu em séries de imagens de azulejos impressas em off-set sobre papel jornal em tamanho natural (15×15 cm). Cada azulejo foi impresso em uma cor (1×0) em uma pequena gráfica familiar que utiliza uma antiga máquina de off-set no Mercado Novo em Belo Horizonte, o que gerou uma materialidade de impressão muito específica em cada tiragem. Os Azulejos de papel foram instalados em muros de casas e lotes abandonados, ou casa de amigos.

Os azulejos também foram distribuídos para que as pessoas fizessem suas próprias instalações.

» Se você tiver feito alguma instalação com os Azulejos de Papel, fotografe e envie pra gente.
» Se não fez ainda, clique para baixar um arquivo com vários tipos de azulejos, imprima, recorte, xeroque e mãos à obra.

» Clique aqui para ver outras fotos e vídeos da intervenção, incluindo as diversas colaborações realizadas por outras pessoas em muitas cidades e países. Agradecemos a todos que colaboraram e enviaram imagens para gente.

Paper tiles (2007 to 2021)

Several cities

A series of images of tiles printed on newsprint paper, 15x15cm (real tiles size). One color offset print.

The work is installed on facades of abandoned houses. Being made of paper, it suffers the same effects of the weather as the walls on which it has been attached. Tiles are also given to people to make their own installations.

Sobre a intervenção do Poro

Além da ação física da instalação, a intervenção carrega uma reflexão sobre a memória urbana e a fragilidade dos suportes. Ao utilizar papel jornal, um material intrinsecamente ligado aos panfletos de rua e ao descarte, os artistas estabelecem um paralelo poético com a própria condição dos imóveis abandonados: mesmo sob a ação da chuva e do sol, ambos são vestígios de um tempo que insiste em permanecer, cada um com sua duração. Diferentemente do azulejo cerâmico, que promete durabilidade e proteção, a versão em papel começa a se transformar no exato momento da instalação, amassando, desbotando e se fundindo à textura do muro. Essa degradação acelerada cria um contraste entre a presença afetiva da padronagem gráfica dos azulejos e o arruinamento da intervenção. Nesse sentido, o registro fotográfico assume um papel central, não apenas como documentação, mas como meio de preservar imagens das intervenções antes que elas se desfaçam completamente. A fotografia congela o instante em que o falso azulejo ainda engana o olhar, transformando-se, paradoxalmente, no único original permanente de uma obra concebida para desaparecer. Essa dinâmica convida o espectador a reconsiderar o valor do que é transitório na cidade e a perceber que a beleza pode residir justamente na impermanência e na capacidade de uma simples imagem de papel de ressignificar, mesmo que por breves momentos, a paisagem do abandono urbano.