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*Texto originalmente publicado no livro Arte e novas espacialidades – Relações contemporâneas

Esses espaços (Eduardo de Jesus)

O conjunto de trabalhos que compõem a exposição esses espaços trama, de forma fluida, múltiplas relações entre as obras em si e a questão que instigou não só a mostra, mas o evento Arte e novas espacialidades como um todo: como experimentamos o espaço hoje? Tomando o pensamento de Focault como ponto de partida, as obras não ilustram, mostram ou representam formas de experimentar o espaço, mas problematizam. Reúnem uma meada de questões e formas de visibilidade, com distintas intensidades, que sinalizam, de forma aberta, ambígua e contraditória, algumas vezes, a experiência contemporânea de espaço.

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O Poro apresenta uma instalação inédita, com cartazes que ocupam a galeria e ruas da cidade, contendo distintos textos e imagens que provocam e convocam o sujeito para novas experiências no espaço urbano.

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As ações do Poro tomam a complexidade do espaço urbano como suporte para intervenções de toda ordem, sempre buscando tornar a aridez da cidade um espaço fértil para a poesia e o acaso, alterando a lógica racionalista que impera. Além dos cartazes exibidos na galeria e também fixados na cidade, integram o trabalho do Poro na exposição o vídeo documentário Poro: intervenções urbanas e ações efêmeras (2010) e Anotações sobre a natureza do espaço (2010), uma sensível e delicada homenagem ao geógrafo Milton Santos. www.poro.redezero.org

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Os jogos de sentido dão-se nos diálogos entre uma obra e outra, revelando, de um lado, a multiplicidade nos modos de perceber, experimentar, criticar e resistir a uma espécie de achatamento padronizante do espaço e, de outro, a potência da produção artística contemporânea em dialogar com as questões mais centrais de nossa época. Nesse sentido, sabemos que a arte talvez não altere estruturas sociais, mas ela abre possibilidades para percebê-las de forma crítica, impulsionando processos de subjetivação que podem mudar nossos modos de estar no mundo.